Exemplos de inovação tecnológica de diferentes regiões do Paraná são apresentados no 48º Epec

Exemplos de inovação tecnológica de diferentes regiões do Paraná são apresentados no 48º Epec

Seguindo na programação desta quinta (27) do 48º Encontro Paranaense de Entidades de Classe e 31º Fórum de Docentes e Discentes, foi realizada a Mesa Redonda com o tema ‘Inovação tecnológica no Paraná’, em que foram apresentados exemplos de projetos inovadores. O Separtec – Sistema Estadual de Parques Tecnológicos do Paraná, apresentado por José Maurino de Oliveira Martins; PTI – Parque Tecnológico de Itaipu, pela Eng.ª Eletric. Ana Carolina Sala Moreno; Vale do Pinhão, pelo Eng. Civ. e Adv. Frederico Augusto Munhoz Da Rocha Lacerda; Cilla Tech Park – Vale do Genoma, pelo CEO Géri Natalino Dutra; e Biopark, pela Eng.ª Prod. Denise Bandeira.

Sistema Estadual de Parques Tecnológicos do Paraná – Separtec

Explanando sobre o Separtec, o secretário executivo José Maurino de Oliveira Martins detalhou a estruturação desse sistema paranaense, enfatizando a existência de massa crítica em todos os pontos do estado onde as inovações estão efervescendo e preparando o Paraná para o futuro, através de universidades estaduais, federais e particulares.

“Nosso objetivo é fazer uma integração para que essa massa crítica das universidades possa, de uma forma sistêmica e transversal a todas as áreas, pensar como serão as cidades do futuro. Estamos criando um instrumento que articula os parques tecnológicos, unindo iniciativas para um ambiente favorável à pesquisa e à inovação tecnológica a serviço do desenvolvimento tecnológico. Essas articulações propiciam que a inovação seja, de fato, propulsora do desenvolvimento”, destacou o secretário.

Pontuando a importante presença da governança nessa cadeia, José Maurino apresentou-a como a interlocução que une o sistema como um todo – alunos, empresas e três esferas do poder – e parte imprescindível da tríplice hélice de poder, composta pelo setor produtivo, universidades e governo. “Fundamental para pensar a inovação e concretizar o parque tecnológico como indutor do desenvolvimento regional, sendo um instrumento capaz de fazer a sinergia desenvolver soluções para as cidades”, finalizou.

Parque Tecnológico de Itaipu – PTI

A painelista Ana Carolina Sala Moreno, que já foi agente de fiscalização do Crea-PR, atua como Engenheira Eletricista do Núcleo de Inovação Tecnológica do Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), criado em 2003, que é gerido pela Fundação Parque Tecnológico Itaipu-Brasil (Fundação PTI-BR) e tem como propósito integrar e transformar conhecimentos e tecnologias em soluções para o progresso da sociedade.

A profissional apresentou os programas e ações desenvolvidas pelo PTI-BR, sendo que o ecossistema de inovação funciona dentro das instalações da Usina, com a presença de empresas, instituições de ensino, startups, centros de tecnologia, pesquisadores e agentes de fomento.

Segundo ela, na área de energia, o PTI-BR tem expandido, há três anos, as soluções que foram instaladas na própria Usina para outras entidades do setor elétrico, com a automação e simulação de sistemas elétricos, hidrogênio verde, armazenamento de energia por baterias, mobilidade inteligente, segurança de barragens, entre outros.

A Engenheira Eletricista comentou ainda que na temática das ‘Cidades Inteligentes’ o PTI-BR atua, há alguns anos, com um laboratório para testar tecnologias em um ambiente controlado. Hoje, um bairro é utilizado para que empresas possam testar soluções de cidades inteligentes.

Outra iniciativa é com uma empresa do setor privado, para um Centro de Excelência em Smart Cities, conectando empresas, fornecedores, investidores, iniciativa privada, entre outros, visando a validação de soluções que promovam novos negócios locais e assessorem outras cidades.

Vale do Pinhão

Trazendo a experiência da capital paranaense, o Eng. civ. e ex-presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Frederico Augusto Munhoz da Rocha Lacerda, trouxe aos participantes a experiência e realidade do Vale do Pinhão, que existe desde 2017, a partir dos desafios e oportunidades das Smart Cities.

“Foi uma proposta que surgiu para recolocar Curitiba como referência em inovação. São múltiplos atores, que têm como eixo mais importante o movimento e conexão entre eles. O Vale do Pinhão é um movimento de Curitiba alinhado com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU”, apresentou.

“Temos pilares bases que norteiam nossas ações voltados à educação e empreendedorismo, por exemplo, com atividades práticas como o Farol do Saber e Inovação, o Fab Lab e o Bom Negócio”, citou. “Já no eixo de reurbanização e sustentabilidade, temos o bairro Rebouças, a agricultura urbana e o Bairro Novo do Caximba, que é uma área de aplicação da economia circular, com implantação de um projeto-piloto na modalidade econômica, apoiado no tripé design, sustentabilidade e inovação”, acrescentou.

Além de citar a integração e a articulação para inserir os atores em uma rede conjunta de trabalho, o Engenheiro Civil pontuou que no desafio de consolidar Curitiba como uma Smart City, a tecnologia é sim fundamental, mas não é a causa de tudo. “O que temos muito claro é que a parte mais importante de uma cidade inteligente é o cidadão. É ele quem precisa aprender a utilizar as ferramentas que estamos criando a favor da sua qualidade de vida”, finalizou.

Cilla Tech Park – Vale do Genoma

Também marcou presença no painel o CEO do Cilla Tech Park, Géri Natalino Dutra, que integra o Conselho do Vale do Genoma de Guarapuava, na região Centro do estado, que foi idealizado para realizar transformações e encontrar respostas que levem ao desenvolvimento dos municípios, estados e parte de todo o mundo. Esse ecossistema de inovação, em funcionamento, acontece pela união dos governos municipal e estadual, academia, empresas e sociedade civil.

O trabalho é voltado às áreas da saúde, agropecuária e meio ambiente, possibilitando a pesquisa inicial, a avaliação de viabilidade, a aplicação de pesquisa e o desenvolvimento dos projetos por meio de startups.

“O propósito é ser um ambiente empreendedor e promotor de prosperidade e desenvolvimento regional por meio da inovação tecnológica. Como o Vale do Genoma não tem personalidade jurídica, o que permite a integração de novos atores”, pontua.

Biopark

A última painelista da manhã foi a gerente de Projetos e Negócios Eng.ª Prod. Denise Bandeira, que apresentou o BioPark, um Parque Científico e Tecnológico de 4º geração, com setores organizados que permitem o desenvolvimento de áreas residenciais, comerciais e industriais na região Oeste do Paraná, principalmente na cidade de Toledo.

Fundado em 2016 pelos empresários Luiz e Carmen Donaduzzi, o BioPark é de propriedade 100% privada, com o objetivo de gerar massa crítica e impacto social e econômico regional. “Trabalhamos para fomentar a cultura pela cooperação, inovação e empreendedorismo, partindo do conceito de simples e ágil. Queremos traçar ações de moradia, trabalho, de lazer, com um ciclo de vida completo para que haja conexão no ambiente de inovação”, pontuou a Engenheira.

Na experiência do Parque Tecnológico do Oeste Paranaense, Denise pontuou os eixos priorizados para atuação como bases de desenvolvimento. “Focamos na acolhida de empresas, ideias e propostas voltadas à saúde, ao agro e a tecnologia de informação. Neste ramo, já temos 143 empresas conosco, que cresceram 500% desde que ingressaram em nosso parque e participam de nossos programas de incentivos, recebem nossos atendimentos especializados e suporte para despontarem no mercado”, detalhou.

Enfatizando a importância de aproximar a inovação do meio educacional, apostando no futuro e nas novas ideias, a Engenheira elencou a busca pela sinergia entre os pilares de educação, tecnologia e negócios como essencial no BioPark. “Trabalhamos com projetos integradores, que nos aproximam das universidades presentes na região, como a UFPR e a UTFPR, onde temos mais de 1500 alunos e 30 cursos técnicos e de graduação integrando nosso ecossistema”, esmiuçou.

Como exemplo prático do BioPark, a Gerente de Projetos e Negócios, apresentou o projeto Queijos Finos, do Laboratório de Inovação. Com referências internacionais trazidas do Canadá, o Parque possui um laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos com equipe especializada.

O Programa gratuito oferece ao produtor tecnologia para produção de queijo, diagnóstico da propriedade, auxílio na parte documental para registro do produto, suporte para a estruturação da agroindústria, apoio para o desenvolvimento das embalagens, mentorias especializadas e outros serviços de qualificação e operacionalização.

“Hoje temos 36 tipos de queijos desenvolvidos em Laboratório e antes de serem comercializados passam por análises de nossos profissionais treinados pelo Biopark para assegurar a qualidade dos produtos”, concluiu.

Perguntas

Após as apresentações os participantes tiveram a oportunidade de perguntar mais detalhes dos projetos apresentados, sob a mediação do coordenador de Ciência e Tecnologia da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná e coordenador do Sistema Estadual de Parques Tecnológicos (Separtec), Geógr. Marcos Aurélio Pelegrina, e do presidente do Crea-PR, Eng. Civ. Ricardo Rocha.

Programação

O 48º Encontro Paranaense de Entidades de Classe e o 31º Fórum de Docentes e Discentes seguem até sexta-feira em Foz do Iguaçu. Com o tema Infraestrutura do Estado do Paraná, inovação nos serviços das Engenharias, Agronomia e Geociências e sustentabilidade das Entidades de Classe, o evento reúne representantes de Entidades de Classe, inspetores, conselheiros do Crea-PR, membros do CreaJr e lideranças estaduais e nacionais das Engenharias, Agronomia e Geociências.

Realizado pelo Crea-PR por meio do Colégio de Entidades de Classe – CDER, do Colégio de Inspetores – CDIN, e do Colégio de Instituições de Ensino – CIE, e os eventos contam com o apoio do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia – Confea, da Mútua-PR – Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea, e da Cooperativa de Crédito – CredCrea.

Texto: Patrícia Biazzetto, Nádia Mocelin e Débora Pereira – Comunicação Crea-PR 

Fotos: Levi Rodrigues Ker e Elias Ker

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